Eu sabia que não
ias acabar por ficar comigo.
Eu tinha aquela
certeza de que o que oferecia não era suficiente para quem já tinha iniciado
está viagem e havia escolhido o seu caminho.
Eu sabia que o
que escrevia, nada mais alimentava que ao ego de alguém que cansou, por
instantes, de viver a vida que escolheu.
Eu era daquelas
praias bonitas e exóticas que temos vontade de estar mas não de viver. No fundo
eu sabia que era um sentimento escravizado pela rotina e angústia de um para
sempre lento de passar.
Tanta coisa eu
sabia, sentia e fingia entender (que era para não dar nas vistas que a partir
do momento que disse “sim”, parti eu mesma meu coração).
Eu sabia das tuas
escolhas, eu antecipava teus desejos e até cheguei a cheirar tua deceção em ti
mesmo.
Em mim, só a mim
me cabe julgar e sempre fui a pior júri da minha inexistência inconsciente.
Perdoei um perdão de consciência, mas falta perdoar meu coração pelo masoquismo
que o fiz passar.
Eu sabia de ti e
dela, eu sabia deles e de mim, nunca sequer desconfiei de mim e de ti e muito
menos do cheiro que supostamente nos invadia. Eu sabia de quase tudo, mas não
sabia disso. Não sabia do que era vital para mim. Não sabia que ia perder
noites sem mim mesma.
Não sabia até
sentir o sol escondido atrás das minhas costas, a escrever hieroglíficos de
tinta permanente; escrita simples, onde o bater de uma costela era uma
afirmação de aceitação, onde tudo que era se resumia no que não sabia e assim
que me voltei a olhar para aquele sol, voltei a apaixonar-me pelo que não sabia
de mim, vi uma estranha e foi o 3 momento mais lindo de toda uma humanidade,
foi o momento do não sei de mim, mas amo-me assim mesmo.
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By Sombra de Anjo